Você já parou pra pensar sobre como encaramos o tempo nos dias de hoje? Parece que nunca temos tempo pra nada, que sempre estamos na correria, estressados e tal.
Fico imaginando que é por conta disso que a maior parte das festas que tenho ido nos últimos anos são iguais. Iguaizinhas, sem discriminação de categoria: casamentos, festas infantis, aniversários, batizados. Imagino que pela falta de tempo, as pessoas preferem contratar serviços para fazerem suas festas do que elas mesmas colocarem a mão na massa.
Eu entendo essa postura, mas a consequência disso é que a maioria acaba tendo o mesmo estilo de decoração, as comidas parecidas e até conseguimos adivinhar o que vai acontecer a cada hora do evento. Elas têm aquela cara de "paguei, agora quero que façam tudo por mim": organizar, escolher, arrumar, limpar e dizer o que fazer durante a festa. Putz, para mim, pagar alguém para te mostrar como você vai se divertir é simplemente o fim.
Mas é assim que vamos levando a vida, nesses tempos em que é super chique dizer que se está estressada e condenável sair do padrão.
Eu, num impulso eterno de ressaltar a diversidade, resolvi fazer da minha festa de 30 anos um ritual de passagem em que tudo, absolutamente tudo, foi feito pelas minhas próprias mãos.
Para não parecer - ou não confirmar - que sou a mais neurótica do mundo, tive ajuda dos meus preciosos amigos na montagem de algumas peças e da decoração. Mas passei 2 semanas por conta de transformar meu coração de artista em objetos de papel e tecido e em comidinhas caseiras.
E foi assim que no último sábado aconteceu um piquenique de aniversário, em um bosque perto daqui de casa, em um espaço totalmente público. Foi maravilhoso perceber que minha energia de inovação fez diferença para meus amigos, para os passantes e para quem eu nem conhecia, mas chegou junto. Foi incrível ver alguns emocionados com a simplicidade da festa, estar entre amigos, debaixo de árvores gostosas, aproveitando o capricho de coisas feitas à mão e com amor.
Praticamente um happening. =)
Hoje vou apresentar um panorama geral de como foi, e aos pouquinhos vou tentar mostrar como fiz cada detalhe do piquenique.
Antes mesmo de saber o que eu faria no meu aniversário eu já sabia de uma coisa: que seria em um lugar público e ao ar livre. Meu desejo é que ocupemos os espaços coletivos, pois tenho a sensação de que estamos cada vez mais vivendo isolados em caixinhas, nos relacionando cada vez menos com as pessoas e com o mundo.
Então decidi fazer em um bosque perto daqui de casa, que é lindo. Uma semana antes, com ajuda da Lili, fui varrer os 2 metros de profundidade de folhas secas que tomavam de conta do lugar.
Preparar a festa foi mega complexo, tive de fazer um planejamento e tal, que envolveu coisas grandes, como buscar os pallets estragados no lixo do meu trabalho (lixá-los, pintá-los, cobri-los com tecido e transformá-los em mesas), até coisinhas menores, como elaborar a lista do que levar na hora da montagem do piquenique.
Mas no momento da preparação, em volta dos amigos mais queridos e da minha família, me senti feliz em ver as ideias tomando forma e cor e ficando assim:
Depois de cada coisa em seu lugar, Bebel tirando uma soneca enquanto o Bruno tocava sanfona, começamos a colocar as comidas nas mesas-pallets, que ficaram lindas e sustentáveis.
Piquenique decorado, abastecido e organizado, foi a vez de brindarmos com vinho e a festa começar!
Um brinde à alegria. Tim tim, moçada!
Update: Mão na massa, galera!
- As mesas pallets
- Guirlanda de feltro
- O puf pallet
- A gaveta de flores
- A lembrancinha que germina
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